Versão de trabalho — ainda não aprovada pelo dono
DIRERP

A contabilidade na UTI

A quem ela serve — e a quem deveria servir.

Você sabia que, antes de existir contabilidade, uma dívida era um pedaço de pau rachado ao meio? O credor entalhava o valor num bastão, partia a madeira no comprimento e cada um levava uma metade. Na hora de acertar, os dois lados tinham de encaixar — e só encaixavam se viessem daquele bastão, porque a fibra da madeira não se repete. Para falsificar era preciso ter as duas metades. A Coroa inglesa cobrou imposto assim durante sete séculos, até 1826.

Funcionava para lembrar quem devia. E era só isso: nenhum mercador conseguia olhar o seu monte de varetas e dizer se estava ganhando ou perdendo. Até que, em Veneza, alguém percebeu que a ideia da vareta — dois lados que precisam encaixar — servia para o negócio inteiro, e não só para uma dívida. O mercador de 1494, à luz de vela e pena de ganso, fechava o livro sabendo quanto tinha, quanto devia e quanto tinha sobrado. Agora a pergunta que este artigo veio fazer: você, que paga contador, sistema, certificado digital, guia disso, taxa daquilo — consegue responder essas três coisas agora, de cabeça, sem ligar para ninguém? Quinhentos anos de progresso, e a resposta ficou mais longe do dono do que estava à luz de vela. Esta é a história de como isso aconteceu — e das possíveis causas.

Continuar lendo de onde parou

Também na casa